top of page

João Victor Aiello: Entre a literatura e a pediatria

sequoiarevista
há 5 dias
4 min de leitura

No papo de escritor, nosso destaque é para João Victor Aiello, autor do livro A Borboleta Lagartuxa. A obra tem se destacado no cenário da literatura infantil por tratar, com sensibilidade e simplicidade, de temas como transformação, identidade e respeito ao tempo de cada indivíduo. Em seu livro, Aiello utiliza a metáfora do processo de metamorfose para abordar questões universais da infância: crescer, esperar, errar e se descobrir. A narrativa dialoga com crianças, educadores e famílias ao propor uma reflexão sobre a importância de acolher os diferentes ritmos de desenvolvimento, sem pressa ou impo sições. O autor, que também é estudante de Medicina,  nos conta sobre sobre a construção da história, suas referências literárias e o compromisso ético de escrever para o público infantil. Além disso,  comentou com propriedade,  o papel da literatura como ferramenta de escuta, imaginação e formação humana, especialmente em tempos que exigem mais empatia e cuidado. A conversa de reafirma o lugar da literatura infantil como espaço de reflexão e sensibilidade, capaz de provocar diálogos profundos a partir de histórias aparentemente simples, ultrapassa as páginas e impacta vidas reais.

1-Quem é João Victor Aiello para além do autor de A Borboleta Lagartuxa e como essa identidade aparece, mesmo que de forma sutil, na obra?

Sou um estudante de medicina apaixonado pela área e suas experiências que atravessam o dia-a-dia. Irei fazer residência em pediatria, então, a escrita, principalmente de literatura infantil, faz muito sentido na minha vida. Costumo dizer que não sou poeta, romancista, letrista… sou escritor. Gosto de escrever. Escrevo letras de música, poemas, mas a literatura infantil entrou em minha vida com uma força avassaladora no final de dois mil e vinte e dois. Posso dizer que essa identidade aparece no livro de maneira, até um tempo atrás, enigmática, mas hoje, considero bem clara. Quando criei o personagem “João Castor” foi inspirado em mim. Acredito que o olhar social seja fundamental na medicina e, em específico, na pediatria… a atenção às emoções, às reações. Meu personagem projeta essa minha característica: observador.

2- Como surgiu a personagem da lagartuxa e de que maneira você construiu sua trajetória até a transformação final?

Desde o início quis uma personagem que fosse a problemática do enredo. A Borboleta Lagartuxa, no início como lagarta, e, no fim, claro, como borboleta, me pareceu perfeita. Lembro que comecei o livro já posicionando a lagarta como alguém que iria tumultuar o espaço, mas sempre tive em mente a necessidade de não deixar um clima pesado na história. O livro apresenta conflitos, claro, mas conflitos sem resoluções e lições são desperdício de tempo. Não quis deixar apenas brigas espalhadas pelo livro e um fim negativo… daí veio um fim bem leve e lógico. A lagarta quando pede perdão e entende as mudanças, vira borboleta e voa. O ato de voar representa a leveza e assim quis fechar o livro. Destaco aqui as coloridas ilustrações da Ingrid Macieira que trouxeram esse sentimento leve!

3-O que a transformação da lagartuxa em borboleta representa para você, em termos pessoais e literários?

Em termos pessoais representa a força do perdão. O quão fundamental é dar e receber o perdão. Além do quão necessário é entender que problemas todos nós temos, mas a necessidade de descontá-los nos outros, não…Em termos literários a transformação significa para mim que, durante muito tempo, tive vergonha de ser visto pelo o que escrevia, quando decidi me expor, meu trabalho ganhou asas, literalmente.

4- Por que a metáfora da borboleta foi escolhida para conduzir a narrativa e seus significados?

Eu acho que foi devido ao fato de ser uma metáfora leve e estarmos em constante mudança. Tecnicamente também me ajudou a construir o arco do caos, entendimento, pedido de perdão e partida rumo a uma outra vida. 

5-Quando você percebeu que a história poderia dialogar tanto com crianças quanto com adultos?

Quando ouvi pessoas identificarem diversas outras relações pessoais contidas no enredo. Nesse momento percebi que realmente o fundo era infantil, mas a história dialoga com questões que enfrentamos diariamente… de 0 a 100 anos. Aproveito, inclusive, para dizer que uma das maiores alegrias de se produzir algo é ver sendo interpretado de uma maneira que você nunca sonhou. Há um tempo, meu livro foi utilizado numa aula de Yoga infantil! Nunca imaginei!

6-Como foi o processo de escrita do livro: mais intuitivo ou planejado desde o início?

Totalmente intuitivo! À época, em meados de 2022, decidi fazer uma música. Não tinha ideia que seria infantil! Fiz uma harmonia, fiz a melodia e comecei a escrever uma letra. Fiz uma música bem extensa, sem refrão, contando uma história. Naquela época ouvia muito “Give Peace a Chance”, do Lennon, e “Peace Train”, do Cat Stevens, então, acredito que fui influenciado por esse movimento pacifista. Fui mostrar ao Renato Pfeil, da dupla Glorinha & Renato, e ele atestou o que eu não via. Tinha uma história completa na minha música! Peguei, então, essa minha letra e fui desmembrando em páginas. Assim nasceu A Borboleta Lagartuxa! Vale destacar que o livro possui audiobook produzido pela dupla com canções deles e essa minha canção também está! Essa minha música, inclusive, chamada “João Castor”, está nas plataformas de streaming! Foi interpretada, produzida e arranjada pelo Renato Pfeil.

7--Quem você imagina como leitor ideal de A Borboleta Lagartuxa e que tipo de sentimento espera despertar nele?

Hoje eu acredito que o leitor ideal são as crianças de todas idades e seus pais… a mensagem é direta, sem rodeios, mas de maneira lúdica. Concordo com a ideia de que precisamos escrever de maneira acessível às crianças, no entanto, sem subestimá-las! Lutei ao máximo para escrever uma obra que respeite esse princípio. Espero despertar o sentimento de não-violência principalmente!


 
 
 

Comentários


bottom of page